300 - A Ascensão de um Império - Crítica


Lembram da forma desdenhosa com a qual o Rei Leônidas (Gerard Buttler) se referia aos atenienses? Então, até que ele não é infundada.


Baseado em Xerxes, quadrinhos de Frank Miller, e narrado no estilo visual de tirar o fôlego do sucesso “300”, o novo capítulo da épica saga leva a ação a um inédito campo de batalha, o mar, à medida que o general grego Temistocles  tenta unir a Grécia ao liderar o grupo que mudará o curso da guerra.



Eu sou fã da obra de Frank Miller e a li pouco antes do primeiro “300″ ser transposto para as telas. Lembro de como ficou popular o filme de Zack Snyder e como o estilo dele conquistou seus defensores e seus detratores. Estilo esse que senti falta no recente e estranho “Homem de Aço”. Essa sequência que mostra o lado grego e persa da batalha surge numa época diferente daquela. Vários outros tentaram pegar onda nos “épicos” ostensivos e estilosos e nenhum conseguiu algo além do esquecimento. O diretor até tenta emular várias nuances do “snyderismo” como o slow motion, mas eu me apeguei num detalhe: Como copiar um diretor cujo próprio estilo ele não seguiu em seu último filme? Tem horas bem estranhas, mas irei citá-las adiante.



Durante o último ano e meio eu vi uma gama bem variada de notícias sobre esse filme. A primeira que seria um prequel, a segunda que seria uma sequência. O título que seria “300 – A Batalha de Artemísia” (Bem mais digno!) foi trocado por “A Ascensão do Império” e haveria pontas e participações honrosas. Mas nada de muito chamativo. Aliás, falta muita coisa que chame atenção nesse filme. Há começar pelo diretor Noam Murro, que por mais que não tenha sido prejudicial, copia incessantemente tudo o que funcionou no primeiro com leves diferenças na melhora do CGI e abusa do “slow motion” de uma maneira bem menos ostensiva. A primeira meia-hora é irritante por isso.



A linguagem ácida do primeiro filme o tornou famoso bela rudeza. Cheio de bravatas e chistes, “300″ era um filme “sempre viril” vindo das hq’s. Rendeu até umas acusações de misoginia (Infundada.) e tem um humor próprio que fazem esse filme ser diferente. Mas aqui, não há espartanos. Não há bravatas. Não há a civilização belicosa que Leônidas ostentava. Há os gregos. Os atenienses para ser mais exato, que tanto eram citados no primeiro filme como “filósofos enamorados de meninos” por suas capacidades agrárias, políticas e eruditas se diferirem da civilização de soldados de Esparta. E isso é seriamente visível na abordagem que o roteiro (Zack Snyder e Kurt Johnstad) nos entregam. A primeira vista, o general Temístocles feito pelo ator Sullivan Stapleton é nitidamente o herói da trama. Mas ao passar dos minutos identifica-se uma ausência de carisma que não consigo distinguir se é culpa do ator ou da forma como seu papel é jogado ao enredo. Realmente o general ateniense não me dá nenhuma outra ideia além de tapa - buraco, pois além de só ficar discursando, é usado para fazer um vínculo forçoso ao primeiro filme e assimilar todos os "joguetes" e a fórmula do “This is Sparta!!!”. Acredite, até o chute é copiado leve e desnecessariamente. Aliás, nada feito por atenienses é de cativar nesse filme.



Quer saber quem é que domina o outro lado da moeda? Disse Rodrigo Santoro? Pois errou feio. Nosso ator continua sendo apenas um coadjuvante, ainda que aqui ganhe uma origem meramente ilustrativa, já que ela não o aprofunda e não dá mais nuances do que as que já cativaram antes. Esse filme é das mulheres. Sim, pasmem! O filme sobre o lado grego da guerra espartana é dominado 90% pela personagem Artemísia interpretada pro Eva Green. A francesa domina como uma antagonista mais marcante que o do filme anterior, em um filme menos marcante que o anterior. Ela dá os melhores diálogos, as melhores cenas, as melhores piadas e até a melhor virilidade. Por ela, o filme deveria ter se chamado “Batalha de Artemísia” e por ela a imagem que encabeça meu review é o que vocês viram. Os outros 10% não são preenchidos pelas aparições mudas de Gerard Buttler, Michael Fassbender e outros. É pela atriz Lena Headey interpretando a rainha Gorgo, viúva de Leônidas. Suas cenas só não se equiparam a de Eva Green pela quantidade de tempo, pois sua presença é a ira encarnada.



Fora isso, eu não vejo muito que justifique o filme. Como disse o slow motion é ostensivo porém pouco charmoso. Só copiar Snyder não bastou. Toda hora em que alguém era cortado pela lâmina de uma espada, eu tinha a impressão de que estouravam um balão de tinta em câmera super-lenta sempre da mesma forma e aparência. A ação é bonita no que se trata da batalha naval e das tomadas de vastos horizontes repletos de barcos. Há momentos em que a ação fica estranha e outros que ela nos dá um baque. Há um momento em que Temístocles cavalga por barcos em chamas em plena tempestade e cai na água e PULA COM O CAVALO PARA O BARCO NOVAMENTE COMO SE FOSSE UM JOGO DE PLAYSTATION 4 EM PRIMEIRA PESSOA. E nunca haverá capa encharcada que dance tão facilmente aos movimentos de duelo como a desse filme. Uma sequência que não foi pedida sobre uma história que possuía uma forma bem completona. Não chega a ser ruim, mas é certamente um regular gritante.


Esse já é o segundo filme em que vejo Eva Green esbanjar talento e simpatia numa história fraca. O primeiro foi “Sombras da Noite” de Tim Burton. Resta torcer para que “Sin City – A Dama Fatal” supere essas sucessões.

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