Robocop - Crítica



 É impossível não entrar no cinema de um remake já com a mentalidade no original. Eu, particularmente, entrei com um dilema: entrar de vez na dança conduzida por Padilha ou ser um velho comparando tudo ao filme de 1987. Bem, vos adianto que independente do que você escolha, você vai entrar na dança do Padilha.
O novo "Robocop" traz uma critica à corporação, ao Estado que abraça a corporação e adentra na parte mais sombria de transformar um homem numa máquina. Assim, corromper um homem a algo controlável, traz o que é, por mim, o maior mérito do filme, que é canalizar a brutalidade do filme original de forma mais espirituosa. Pra um filme ser brutal não precisa de sangue e Padilha mostrou isso, com uma cena dentro dessa transformação de uma forma bem chocante. É a partir daí que você entra no jogo e esquece que esse é um filme de Estúdio.


 O roteiro é bem energético, as cenas de ação são bem bacanas, nada de outro mundo, já o argumento e as criticas presentes ali, são bem colocadas e abrem várias opiniões. Porém, é interessante o modo como são colocadas e, talvez ai, me lembrei um pouco dos "Tropas de Elite". O jogo de câmeras que o Padilha usa também lembra muito os Tropa, principalmente o segundo filme, sempre muito orgânico.
Sobre as atuações, não tem o que reclamar! Joel Kinnaman surpreende no papel de Murph, mesmo estando numa desconfortável armadura e com certeza foi uma excelente escolha. Gary Oldman funciona excelente no papel de "criador" do Robocop, assim como Michael Keaton consegue ser um vilão nada caricato e bem original. O resto do elenco de apoio está lá, funcionando com uma base de críticas e comparações, atuando perfeitamente com o que lhes foram dado.
 O problema do filme? A trilha Sonora, onde nenhum momento empolga. Mesmo sendo a clássica canção, serve muitas vezes como algo irônico, tirando um pouco do idealismo do filme.
 O filme é perfeito? Não! Está longe disso, mas quando um diretor passa por cima do estúdio e nos oferece algo digno e que honra o trabalho do Original, merece muitos créditos. O que basta é se deleitar com o excelente trabalho de um diretor contra a má vontade torta do estúdio. Sorte que o primeiro se destacou mais que o segundo.

Nota: 4/5


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