Asterix entre os Pictos: O Retorno do herói gaulês


Após um período de oito anos, os gauleses irredutíveis da pequena aldeia na Armórica estão de volta às páginas dos quadrinhos, e dessa vez, pela primeira vez em 54 anos pelas mãos de outros autores que não os seus criadores originais. Asterix entre os Pictos é o primeiro álbum de Asterix que não conta com seu co-criador Albert Uderzo, desenhista original da série, que vinha trabalhando também nos roteiros desde a morte do amigo René Goscinny, falecido em 1977. Foram oito álbuns sob a tutela de Uderzo, alguns realmente bons, outros mais fracos, mas o que é unanimidade entre os fãs é que nenhum fez jus aos que foram escritos por Goscinny, que possuía um humor político genial.
Após o criticadíssimo O dia em que o céu caiu, último álbum escrito por Uderzo, ficou evidente que ele não havia mais como levar os personagens. O peso da idade não diminuiu a beleza de seus traços, porém a sua critividade decaiu, e o álbum nada mais é do que uma crítica vazia e amargurada aos outros tipos de quadrinhos, como os mangás e comics. Primeiramente decidido a se aposentar junto com os personagens, Uderzo acabou anunciando algum tempo depois que Asterix iria continuar suas aventuras agora pelas mãos de uma nova equipe criativa, selecionada por ele. Os escolhidos foram o roteirista Jean-Yves Ferri e o desenhista Didier Conrad, e assim teve início a expectativa dos fãs.



O fato é que Asterix entre os Pictos não decepciona. Não é nada de sensacional, mas faz jus aos personagens. Na verdade a impressão que fica é que Jean-Yves Ferri fez de tudo para manter o mesmo clima das antigas aventuras de Asterix, tentando ao máximo emular seus criadores. Não que isso seja ruim, e talvez tenha sido mesmo a melhor saída pelo menos nesse primeiro álbum, onde muitos dos fãs ainda estavam receosos sobre o resultado final. Ficou claro que o roteirista tem potencial, e é provável que em futuros álbuns ele tenha menos pressão e mais liberdade criativa para ousar. Mesmo tendo escolhido o caminho mais fácil e sendo apenas uma daquelas típicas viagens de Asterix para outro país e cultura para resolver o problema de um nativo, a história é divertida, os personagens estão muito bem caracterizados e acredito que possa agradar até mesmo os fãs mais puristas.

Quanto aos desenhos, Didier Conrad mandou muito bem, sendo quase imperceptível a diferença de traço entre ele e Uderzo. Isso, como fã da arte de Uderzo, era algo que me preocupava um pouco, porém os desenhos de Conrad estão espetaculares e fidelíssimos à arte original.
A história trata de uma viagem à Pictia (Escócia), para ajudar um nativo que foi encontrado congelado por Asterix e Obelix. Mac Olosso precisa retornar ao seu país para resgatar sua amada das mãos de Mac Abro, um vilão que se uniu aos romanos (esse loucos) para se tornar rei da Pictia. Aliás, é interessante citar que Ferri manteve uma característica interessante das histórias de Asterix, que é a de encaixar os personagens em acontecimentos e locais da história e cultura pop, participando de alguma forma. No caso desse álbum temos como exemplo a Muralha de Adriano e a origem do Monstro do Lago Ness.
Asterix entre os Pictos já está nas livrarias desde outubro, e é uma ótima pedida para quem é fã dos gauleses e já estava com saudades após esse longo hiato.

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